Foto: SAP/SP
Balanço da saidinha aponta prisões, infrações e assassinato de preso na região de Campinas
O balanço parcial da saída temporária de fim de ano revela um cenário preocupante na Região Metropolitana de Campinas. Em menos de uma semana, beneficiados pela chamada “saidinha” se envolveram em crimes graves, além do assassinato de um detento que estava em liberdade temporária.
A medida, prevista na Lei de Execução Penal, autoriza presos do regime semiaberto a deixar as unidades por até 14 dias. Em 2024, mais de 3 mil detentos receberam o benefício na região de Campinas, com retorno programado até o dia 5 de janeiro.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, quatro beneficiados foram presos na RMC por crimes como roubo, sequestro e agressão contra mulheres. As ocorrências aconteceram em Indaiatuba, Atibaia, Nova Odessa e Sumaré e integram um total de 17 prisões registradas em todo o estado.
Detento é morto durante a saída temporária
Em Hortolândia, o preso Weverton Lucas de Andrade, de 28 anos, foi executado com diversos tiros enquanto estava sentado em uma calçada. Os suspeitos fugiram em um veículo escuro e ainda não foram localizados.
Weverton cumpria pena de 21 anos por crimes de homicídio e roubo e também era investigado pelo assassinato de um policial militar. Ele havia sido preso em 2019 após ser capturado no Ceará.
Sequestro, roubos e violência doméstica
Um dos crimes que mais chamou atenção ocorreu em Indaiatuba, onde um detento monitorado por tornozeleira eletrônica roubou um carro e sequestrou um idoso, forçando a vítima a sacar dinheiro em caixas eletrônicos. O homem foi resgatado em Sorocaba e o criminoso acabou preso.
Outros casos envolveram roubo a comércio, ameaças e agressões contra ex-companheiras e esposas. A SSP também informou que mais de 500 presos descumpriram regras impostas pela Justiça, como o recolhimento domiciliar noturno e a proibição de frequentar bares.
A Secretaria de Administração Penitenciária reforçou que presos que não retornam no prazo perdem automaticamente o benefício e voltam ao regime fechado quando recapturados.
Especialistas como a banca de advocacia Marildo Gomes afirmam que, apesar dos episódios negativos, a saída temporária é um instrumento legal de ressocialização, desde que acompanhada de fiscalização rigorosa.
